Ser PROFESSOR

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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Minha mãe

O tempo passa e de repente vejo minha mãe aos 81 anos! Cabeça e alma de 50, mas o corpo e as consequências da idade, não.
Ela sabe tudo e me dá conselhos, preocupa-se com minha saúde e meu bem estar. Preocupa-se, inclusive, com minha vida amorosa. Pode? É mesmo uma verdadeira MÃE_AMIGA!


Sua coluna está maltratada pela idade e pelo trabalho de anos a fio em uma máquina de costura. Aguarda há quase um ano um tratamento mais profundo no Hospital Sarah.
Cirurgia? Nem pensar.
Ah!!! Como seria bom se hoje ela fosse mais nova! Poderíamos passear mais amiúde, correr na areia da praia, ir ao Corcovado. Subir e descer escadas e rampas, pulando. Ah... Como seria bom!
Ela, que durante toda sua existência viveu para me apoiar, me respaldar, me dar carinho e educação. Sempre teve um olhar amigo sobre tudo que faço. Nunca me deixou!


Seria maravilhoso se Deus pudesse lhe dar a cura para suas dores. Mas o tempo passou, e muito rápido.
Quase não faço nada para lhe ser grata. O que faço? É o mínimo! Poderia e deveria fazer mais, mas ela é tão nobre que me apóia, inclusive, não deixando transparecer que ela é mais para mim, que eu para ela.
Amo-a muito e queria ser sua filha de novo, tantas vezes eu tivesse que viver.


Deus a abençoe e guarde!
Deus lhe dê felicidades!
Deus lhe proteja sempre!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Um anjo chamado Angela

Meu nome é Julio e gosto muito de fazer poesias cantadas ao som da minha viola.
Um dia desses estava passeando pela rua levando minha viola, quando deparei com um grupo de senhoras e crianças na praça principal da cidade onde moro, Milho-Rei. Elas conversavam e muitas criancinhas brincavam.
Comecei a cantarolar alguns dos versos que fiz quando fui ao circo na cidade vizinha. Era um circo onde todos os artistas faziam parte de uma única família. Pai, mãe, filhos, pequenos e grandes, e até avós. Muito legal! Na cidade, o circo anunciava sua chegada com megafone, falando a todos à hora e os dias das apresentações.
- Senhoras e senhores! Lá vem o circo chegando! Os palhaços, malabaristas, a mulher engole fogo, o cachorrinho que anda na corda bamba estão lhes esperando! Não percam a estreia do Circo do Amor!!!

Então fui à estreia e não era verdade toda a atração anunciada?
Tinha um grande picadeiro, jogo de luzes e tudo mais que um circo de médio porte tem. Observei que era um circo especial, feito de amor, pois todos trabalhavam com muito carinho.
O palhaço era também o domador de leões. A mulher "engole fogo" fazia malabarismos rodopiando os pratos no ar. Os palhaços eram os contorcionistas e ao mesmo tempo faziam acrobacias na cama elástica, junto com um lindo cachorrinho!
Que família legal! A união em família é necessária e sempre tudo dá certo.
E... Eu cantarolava em versos aquela beleza de circo.
De repente começou ajuntar a meninada. E quanto mais eu cantava, mais chegava garotada!
Então pensei: por que as crianças de hoje em dia não vão mais ao circo como antigamente?
Ao parar de cantar uma menininha falou se eu poderia continuar porque ela queria saber mais da história, pois nunca tinha ido ao circo e estava sonhando como se estivesse lá.
Recomecei minha cantoria, mas, de repente, a menina começou a chorar. Lembrou que não podia continuar a escutar meus versos, pois deveria levar os salgadinhos à dona Álvara, que havia encomendado a sua mãe.
Saiu correndo sem nem dar adeus!
Parei de cantar por um momento, pois aquela menina me fez repensar algumas coisas tão normais para muitos e para outras pessoas não.
Por que será que muitas crianças não têm oportunidade de ir a um circo? Não estou falando do Circo-Show, aquele que tem tudo igualzinho a um espetáculo na televisão. Falo do circo das cidades pequenas. Um circo simples, mas alegre, aquele que muitos pais ainda podem levar seus filhos.
Lembrei-me, de novo, da menina.
Quis saber seu nome perguntando as outras crianças da praça. Elas não sabiam, pois a menina só passava por lá levando e trazendo salgados que sua mãe fazia. Não brincava, nem sorria. Era uma menina, aparentemente, triste.
Isto me comoveu e pedi às crianças que me desculpassem, pois tinha que ir embora.
Voltei a minha casa e continuei pensando na menina que não podia ir ao circo e, por trás disso, outras coisas que nem mesmo eu sabia que poderiam estar acontecendo com ela.
Alguns dias depois, estava indo à casa da minha irmã Luiza, quando passei pela pracinha. E vi lá, de novo, a menina, parada, olhando as outras crianças a brincar. Talvez a minha espera, a espera da história do circo.
Num impulso cheguei perto dela e disse:

-Olá, tudo bem?
A menina me respondeu:
- Sim e o senhor?
- Eu bem. Você mora por aqui?
- Moro distante, naquela estrada que vai para a cachoeira. O senhor conhece a cachoeira?
- Conheço, já estive lá algumas vezes. É muito bonita. E o que você faz? Estuda? Brinca?
- Eu estudo, mas nem sempre dá para ir à escola, pois preciso ajudar a minha mãe que sustenta a casa vendendo salgadinhos.
A menina continuou a falar:
provasdeamor.com
 - Mas o que eu gosto mesmo é de livros. Gosto de ler histórias e foi por isso que eu, naquele dia, quis escutar a história do circo que o senhor estava cantando.
Então eu falei:
- Um dia eu, sem pressa, terminarei de cantar a história do circo.

Despedimos-nos e combinamos que na semana seguinte, naquele mesmo dia, nos encontraríamos na praça para que eu pudesse fazê-la feliz.

Uma semana se passou e lá estava eu, a espera da menina, envolta das crianças da praça, as mesmas que brincavam nos brinquedos junto às mamães e vovós que lhes tomavam conta.
Esperava a menina, mas pensando na tristeza que ela me passou. E por que estaria tão pensativo por alguém que nunca havia visto antes?
Assim mesmo fui desfiando meus versos.
As crianças prestavam atenção e sem ninguém esperar chega Maria, uma amiga de Angela, que trazia um recado: ela não poderia sair de casa, pois sua mãe estava doente, de cama, e Angela deveria cuidá-la e fazer os salgadinhos encomendados.
Fiquei penalizado com a situação e resolvi ir até a casa da menina com ajuda de sua amiga Maria.
Chegando lá, vi dona Lúcia, mãe de Angela, de cama e Angela preparando os salgadinhos. Angela ficou muito feliz com a minha presença e me apresentou a sua mãe, dizendo que eu era seu amigo. Imediatamente me ofereci para levá-las ao hospital mais próximo que ficava à uma hora de distância, indo de carro. Ao chegarmos lá dirigimo-nos a recepção onde pedi um médico. Dona Lúcia logo foi levada para a sala de Emergência. Ficamos aguardando no salão de entrada do Hospital. Angela estava muito aflita e triste. Acalmei-a dizendo que ela confiasse em Deus, pois tudo daria certo. Ficamos esperando mais de uma hora. Estávamos calados, mas eu sentia a mão de Angela apertar a minha como se eu a estivesse ajudando a superar aquele momento, até que o médico saiu da sala e nos procurou. Disse que sua mãe iria ficar internada por uns dias, mas nada de grave, nada que ela não conseguisse superar. Seu estado era regular e ela precisava de uns dias para se recuperar da anemia e da fraqueza. Fiquei consternado com a situação e pedi a Dona Lúcia permissão para levar Angela à minha fazenda, enquanto ela se recuperava no Hospital.
Voltamos silenciosos, mas felizes, e, ao chegarmos, Angela foi recebida com muito carinho pela dona Cidinha, a querida senhora que fazia nossa comida todos os dias. Era a melhor das cozinheiras de toda região.
Dona Cidinha levou-a até o banheiro e lhe deu roupa limpa de uma de suas netas que morava conosco na fazenda.
Os dias iam passando e esperávamos ansiosos pela recuperação de dona Lúcia. Todos os dias pela manhã Angela saia comigo para ordenhar as cabras para nosso café matinal. À tardinha sentávamos na varanda, com todos os que viviam lá, e cantarolava a hitória do circo que ela tanto gostava.
Passados dez dias sua mãe teve alta do Hospital. Fomos pegá-la, trazendo até a fazenda. Então, fiz um pedido inesperado para as duas. Convidei-as a morar na fazenda para que ela trabalhasse tomando conta da organização da casa principal, mas, em troca, Angela deveria participar das aulas na escola todos os dias.
A resposta foi: SIM!
Todos nós moradores da fazenda ficamos contentes pela resposta positiva.
Angela passou a fazer parte da minha família.

Hoje, após doze anos, Angela cursa a Faculdade de Medicina da cidade e vai ser Pediatra. Pretende, também, fazer parte de um projeto na cidade Milho-Rei para crianças carentes. Sua mãe vive contente por ter realizado um sonho, ser feliz ao lado de sua filha.

E eu... Bem, continuo a cantar os versos para as novas crianças da praça, as que brincam nos brinquedos junto às mamães e vovós que lhes tomam conta.

Regina Bizarro. Contos de Verão. Ed.Especial 2009 / Br Letras.



domingo, 30 de janeiro de 2011

O SEGREDO É TER ATITUDE

Lucas é o tipo de cara que você gostaria de conhecer. Ele estava sempre de bom humor e sempre tinha algo de positivo para dizer.
Se alguém lhe perguntasse como ele estava, a resposta seria logo: "Ah.. Se melhorar, estraga".
Ele era um gerente especial em um restaurante, pois seus garçons o seguiam de restaurante em restaurante apenas pelas suas atitudes. Ele era um motivador nato.
Se um colaborador estava tendo um dia ruim, Lucas estava sempre dizendo como ver o lado positivo da situação.
Fiquei tão curioso com seu estilo de vida que um dia lhe perguntei: "Você não pode ser uma pessoa positiva todo o tempo".
"Como faz isso" ?

Ele me respondeu: "A cada manhã, ao acordar, digo para mim mesmo": "Lucas, você tem duas escolhas hoje: Pode ficar de bom humor ou de mau humor. Eu escolho ficar de bom humor".
Cada vez que algo ruim acontece, posso escolher bancar a vítima ou aprender alguma coisa com o ocorrido. Eu escolho aprender algo.
Toda vez que alguém reclamar, posso escolher aceitar a reclamação ou mostrar o lado positivo da vida.

Certo, mas não é fácil - argumentei.

É fácil sim, disse-me Lucas. A vida é feita de escolhas. Quando você examina a fundo, toda situação sempre oferece escolha.
Você escolhe como reagir às situações. Você escolhe como as pessoas afetarão o seu humor. É sua a escolha de como viver sua vida.

Eu pensei sobre o que o Lucas disse e sempre lembrava dele quando fazia uma escolha.
Anos mais tarde, soube que Lucas um dia cometera um erro, deixando a porta de serviço aberta pela manhã.
Foi rendido por assaltantes. Dominado, e enquanto tentava abrir o cofre, sua mão tremendo pelo nervosismo, desfez a combinação do segredo.
Os ladrões entraram em pânico e atiraram nele. Por sorte foi encontrado a tempo de ser socorrido e levado para um hospital. Depois de 18 horas de cirurgia e semanas de tratamento intensivo, teve alta ainda com fragmentos de balas alojadas em seu corpo.
Encontrei Lucas mais ou menos por acaso.
Quando lhe perguntei como estava, respondeu: "Se melhorar, estraga".
Contou-me o que havia acontecido perguntando: "Quer ver minhas cicatrizes"?
Recusei ver seus ferimentos, mas perguntei-lhe o que havia passado em sua mente na ocasião do assalto.

A primeira coisa que pensei foi que deveria ter trancado a porta de trás, respondeu.
Então, deitado no chão, ensangüentado, lembrei que tinha duas escolhas: "Poderia viver ou morrer". "Escolhi viver"!

Você não estava com medo? Perguntei.

"Os para-médicos foram ótimos". " Eles me diziam que tudo ia dar certo e que ia ficar bom". "Mas quando entrei na sala de emergência e vi a expressão dos médicos e enfermeiras, fiquei apavorado".
Em seus lábios eu lia: "Esse aí já era".
Decidi então que tinha que fazer algo.

O que fez ? Perguntei..

Bem. Havia uma enfermeira que fazia muitas perguntas. Perguntou-me se eu era alérgico a alguma coisa. Eu respondi: "sim".
Todos pararam para ouvir a minha resposta.
Tomei fôlego e gritei; "Sou alérgico a balas"!
Entre risadas lhes disse: "Eu estou escolhendo viver, operem-me como um ser vivo, não como um morto".

Lucas sobreviveu graças à persistência dos médicos... mas sua atitude é que os fez agir dessa maneira.
E com isso, aprendi que todos os dias, não importa como eles sejam, temos sempre a opção de viver plenamente.
Afinal de contas, "O SEGREDO É TER ATITUDE".


Nota: A atitude mais difícil de se tomar é a postura para que a mudança aconteça.